outubro 21, 2006

Mensagem - do dia 20/10/2006


Dia 20/10/06, aproximadamente 23h00, já em casa, lembrei-me de que era preciso verificar meus e-mails, pois enviei alguns arquivos para terminar uma tarefa do escritório. Quando vejo que entre os e-mails há uma mensagem dele, daquele que me era tão especial, infelizmente a minha curiosidade permitiu-me abrir o e-mail, antes tivesse feito como a protagosnista da letra da música:

Mensagem

(Cícero Nunes/Aldo Cabral)

“Quando o carteiro chegou e o meu nome gritou com um carta na mão, ante surpresa tão rude, nem sei como pude chegar ao portão. Lendo o envelope bonito no seu sobrescrito eu reconheci a mesma caligrafia que me disse um dia: estou farto de ti. Porém, não tive a coragem de abrir a mensagem. Porque, na incerteza, eu meditava e dizia: será de alegria ou será de tristeza? Quanta verdade tristonha a mentira risonha que uma carta nos traz. E, assim pensando, rasguei tua carta e queimei para não sofrer mais”.

E como na letra música, era para dizer que estava "farto" e tudo que ali estava escrito causa-me agora "tristeza". Quantos e-mails enviei com as mais ridículas declarações de amor, nunca escondi o quanto amava, o quanto eu desejava viver uma grande história de amor.

Todas as Cartas de Amor são Ridículas

(Fernando Pessoa - Poesias de Álvaro de Campos)

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Talvez ele nunca venha ler este post, mas eu tenho um derradeiro pedido.

Carta de Amor
(Fernando Pessoa)

Quanto a mim...
O amor passou.

Eu só lhe peço que não faça como gente vulgar,
e não me volte a cara quando passar por si,
nem tenha de mim uma recordação
em que entre o rancor.

Fiquemos, um perante o outro,
como dois conhecidos desde a infância,
que se amaram um pouco quando meninos, e,
embora na vida adulta
sigam outras afeições,
conservam num escaninho da alma,
a memória do seu amor antigo e inútil.
Me resta o tempo, um dia passa.

4 comentários:

Emilia disse...

Querida esfinge:
Sim, com o tempo abranda, mas não passa por completo. Porém, a vida continua.Fernando Pessoa, o meu poeta favorito, diz tudo tão bem, não é?
Gosto muito de si e do seu blog.E não estou a dizer isto só para melhorar sua auto-estima...
Um abraço.

Emilia disse...

Desculpe ter escrito esfinge e não Esfinge, com maiúscula. Erro ao teclar.
Outro abraço.

J@de disse...

É... eu concordo com a Emília... amor a gente pode sentir, não dá prá impor... foi o que disse ao meu ex-atual-ficante mal resolvido no domingo depois de uma recaída que tivemos...
Eu só falo a verdade e o que sinto, mas a responsabilidade é minha, ninguém tem culpa!!
Seria bom que acontecesse, mas, se não acontecer, paciência...
Sem ressentimentos...
Beijos!!

Segredos da Esfinge disse...

Emilia,
Não há porque pedir desculpas, seu carinho é tão GRANDE que supera qualquer errinho ao teclar.
Mas o melhor, é que ganhei 2 abraços, pode não acreditar eles chegaram no momento certinho.
E, Fernano Pessoa era como vc, diz tudo. O fato de estar um tanto quanto triste não vai abalar a minha auto-estima não, eu acredito verdadeiramente no amor, mesmo se ele não for retribuído, também não posso impor o meu amor seja lá pra quem for.
Emília, eu até vergo mas não quebro, logo tudo se acalma.
O carinho e o gostar são recíprocos.

O Que Sou:

Um misto de:
Fracasso e conquista,
Coragem e medo,
Brutalidade e fragilidade,
Vida e morte, mulher e bicho,
Sonhos e pesadelos.
Sou um fio de esperança.

"Um misto de fracasso e de conquista.
Um medo transmutado de coragem.
Tão frágil como a rosa que se avista.
Brutal no cinzentismo da paisagem.
Assim mulher e bicho me retrato.
Mesclando o pesadelo com o sonho.
E vivo de incertezas... e me mato.
Num fio de esperança que reponho."
(Jorge)

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