abril 16, 2008

António Melenas

Faz um mês que António se foi, para perto dos anjos (talvez), faço idéia de como ele tem histórias para contar aos Serafins... Querubins. Do tempo de sofrimento da prisão, das poesias que dedicou para cada mulher amada, de cada flor do seu jardim. Poeta não morre, nem falece... poeta "ETERNIZA-SE" .

EM BUSCA DE MIM
(Abyssus abyssum vocat)

O meu Eu, deixei-o abandonado
P’los caminhos da Dor e da Ilusão.
Sou um cego, sem guia nem bordão...
Um farrapo aos ventos atirado.

Todos os sonhos bons que hei sonhado
Queimaram-se na chama da Paixão...
E onde havia, outrora, um coração
Há um abismo sem fundo de pecado.

Entre o que fui e o que sou, a cada instante,
Há em mim uma luta fatigante
Que a minha alma gasta não suporta...

Na ânsia de encontrar-ME (vão intento!),
Meus dias vou gastando, num tormento,
A procurar por MIM, de porta em porta!...

António

3 comentários:

Anônimo disse...

Que lindo poema...
Eu também vivo em busca de mim. Acho que esta é minha eterna busca...eterna mesmo...que transcende a vida na matéria...
Ui.
Beijos,
vivi

Anônimo disse...

o antónio era um homem admirável e um poeta de excelência. fazes bem em recordá-lo, segredos.

beijinhos

Jorge

Edson Marques disse...

E eu não conhecia o António!

Que falha a minha!

Vou agora mesmo procurá-lo por aí, na internet.

Abraços, flores, estrelas..

O Que Sou:

Um misto de:
Fracasso e conquista,
Coragem e medo,
Brutalidade e fragilidade,
Vida e morte, mulher e bicho,
Sonhos e pesadelos.
Sou um fio de esperança.

"Um misto de fracasso e de conquista.
Um medo transmutado de coragem.
Tão frágil como a rosa que se avista.
Brutal no cinzentismo da paisagem.
Assim mulher e bicho me retrato.
Mesclando o pesadelo com o sonho.
E vivo de incertezas... e me mato.
Num fio de esperança que reponho."
(Jorge)

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