agosto 06, 2009

Violência

Na primeira noite
eles se aproximam
e colhem uma flor
de nosso jardim
E não dizemos nada.
Na segunda noite,
já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que, um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
Já não podemos dizer nada.
(De Eduardo Alves da Costa)
Cansei de não "dizer nada", não permito mais que me roubem as flores.

5 comentários:

Judite (Dite) disse...

Nos tempos que correm, temos de temer tudo e todos, mas ficar calados não o devemos fazer.
Todo o cuidado é pouco!
Um beijo,
Judite

Silvia Gonçalves disse...

Tem razão...

Demais!!

E a propósito.. amei a foto da flor...
Foi vc quem tirou??

Bjos
Sil

Sonia Schmorantz disse...

Se permitimos a violencia na sociedade, depois ela nos mata dentro da nossa casa...
Um excelente texto para pensar.
beijo e ótimo final de semana

Mari disse...

Esta música LENHA (Zeca Baleiro), me trazem as flores de volta...

Bj flor!

Stefani Martins disse...

E por ser tão fácil não dizer nada e viver mentindo para todos e nós mesmos, vivemos uma vida hipócrita de falsa satisfação, contentando-nos com pouco, sem pedir mais, sem grutar, sem aparecer, sem mostrar a face (dar a cara à tapa). Esse poema sempre me lembra da nossa posição frente à política - de como somos violentados e desrespeitados o tempo todo, uma violência cega, surda e silenciosa.

Abraço,

O Que Sou:

Um misto de:
Fracasso e conquista,
Coragem e medo,
Brutalidade e fragilidade,
Vida e morte, mulher e bicho,
Sonhos e pesadelos.
Sou um fio de esperança.

"Um misto de fracasso e de conquista.
Um medo transmutado de coragem.
Tão frágil como a rosa que se avista.
Brutal no cinzentismo da paisagem.
Assim mulher e bicho me retrato.
Mesclando o pesadelo com o sonho.
E vivo de incertezas... e me mato.
Num fio de esperança que reponho."
(Jorge)

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