agosto 05, 2008

Insônia e Misturas


A sua lembrança me dói tanto,
Quem dera abrir meu peito,
Maldizer, não vale a pena,
De amor o sangue corre,
Já chorei sentido,
Mas a minha voz...
O meu coração.,
Inútil e derradeiro.
Antes que o amor acabe,
Cantando coisas de amor,
Dou um beijo em seu retrato.
Quem é você?
Noite e dia me pergunto.
Eu lhe procuro, mas você se esconde.
O tempo passou na janela...
Quem me dera.
Até o mar faz maré cheia.
Vai roubando gota a gota...
Leva o mar, a amada, o amigo.
No peito saudade cativa,
Eu quero a prenda imensa,
Deixa a lua ali de lado.
Venha iluminar meu quarto escuro.
Nesse tempo que carece.
Disfarçar manha dor eu não consigo,
Eu trago peito tão marcado,
Fiz de tudo e nada,
E eu lhe peço perdão.
Eu quero fazer silêncio,
Vou correndo, vou-me embora,
Que é pra ninguém reparar.
Sem me notar.
Que noite, que agonia.
Um desperdício de flor.
Vi morrer os dias,
E não rolou uma lágrima.
Escuto a correria da cidade, que alarde.
Que dia! Cruzes, que vida comprida.
Amanhã há de ser outro dia.
Que eu entrego os pontos.
E não sei bem se por ironia ou se por amor.
Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar.
Amou daquela vez como se fosse a última.
Todo dia eu só penso em poder parar.
Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir.
Sou eu que vou me confessar.
Eu bem te queria.
Quando olhaste bem nos olhos meus.
Inútil dormir que a dor não passa,
Amanheço imitando seu grito,
Eu vou me indignar e chega.
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar.
Por que me incendiaste de desejo?
Quantas guerras terei que vencer?
Hoje sou jogo de azar.
Onde estou, onde estás?
No meu corpo se escondeu.
Desencontrado, eu mesmo me contesto.
Minha fortaleza é um silêncio infame.
Quero brincar no teu corpo feito bailarina,
Põe as mãos em mim.
Diz que sim.
E vem me seduzir.
Talvez o mundo nem seja pequeno.
Geme de prazer e de pavor.
Faz uma outra vez.
Não demora.
Basta um dia.
A fúria, a fúria, a fúria assim dos animais.
A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia.
Já lhe dei meu corpo, minha alegria.
Faço qualquer negócio.
E meu corpo é uma fogueira.
Uma flor do teu jardim.
Carícias plenas... obscenas.
Olhos nos olhos, quero ver o que você faz.
E que me sobe às faces e me faz corar.
Se lembra da fogueira?
Em tua inspiração.
Eu te farei as vontades.
Com tantos segredos lindos e indecentes.
Leva os olhos meus.
E me chama de mulher.
E se, de repente...
Quase levito.
Nem te digo...
Me satisfaz,
Sou sua fêmea.
De todas as maneiras.
Te dei meus olhos pra tomares conta.
...
...
...
Agora conta como hei de partir.

************************************************

O que a insônia não faz!
Contar carneirinhos... não me adianta mais.
Peguei uma cópia de um livro que ganhei em 1.989 (eu sei que copiar livro é crime, mas eu ganhei, na época eu nem sabia que era crime, pelo tempo será que já prescreveu?) enfim, é com letras de músicas do Chico Buarque (1.964 até 1.989).
Fiquei brincando com elas, um pedacinho de cada, deu no que deu (acima), parei em 1.980.
Talvez eu termine a brincadeira outro dia.

7 comentários:

Menina do mar disse...

Termina sim, porque está deliciosa demais! Adorei esta mistura! rsrsr
Beijos:-)

mari disse...

Bela mistura Flor...

Bjs

Anônimo disse...

Tamanha sensibilidade a sua.
BJ

Anônimo disse...

Só não mata nosso amor por vingança.

Zires

Codinome Beija-Flor disse...

Menina do Mar,
prometo que vou terminar.
Bjo

Mari,
é fácil... sendo Chico Buarque (fácil nada).
Bjos

Anônimo 1.
Sensibilidade de Chico é assim.
Bj

Anônimo 2 - Zires
Seu comentário é também letra de alguma música?
Bj

citadinokane disse...

O que uma insônia não faz, hein?!

Emília disse...

Essa mistura está fantástica!

O Que Sou:

Um misto de:
Fracasso e conquista,
Coragem e medo,
Brutalidade e fragilidade,
Vida e morte, mulher e bicho,
Sonhos e pesadelos.
Sou um fio de esperança.

"Um misto de fracasso e de conquista.
Um medo transmutado de coragem.
Tão frágil como a rosa que se avista.
Brutal no cinzentismo da paisagem.
Assim mulher e bicho me retrato.
Mesclando o pesadelo com o sonho.
E vivo de incertezas... e me mato.
Num fio de esperança que reponho."
(Jorge)

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