março 16, 2009

Um Ano

(Foto António Melenas)


Como o tempo passa. Já faz um ano que se foi o amigo blogueiro António. Sinto falta dos textos intensos, sinto falto das estórias e histórias, sinto falta da vontade que ele tinha de viver. Tão engraçado sentir falta de uma pessoa que eu nunca vi, nunca falei, apenas lia.
Naquela escrita tão cheia de paixão nascia poesia, falava dos seus amores, das suas aventuras.
A morte não leva apenas as pessoas que conhecemos real ou virtualmente, quando a morte passa, leva também um pouco da gente.
Onde anda aquela alma chamda António, que conta tanta emoção d'alma, tantas vezes me levou as lágrimas?


UNS OLHOS LINDOS

Tão o triste é minha vida, que em abrolhos
Se convertem meus mais doces anelos
Mas julgo estar no céu, quando meus olhos
Têm a dita de ver teus olhos belos

Oh! No céu, sim no céu! Que não será
Mais puro nem mais belo o céu infindo !
Nem mais doçura, não, mais não terá
Do que doçura tem teu olhar lindo

Quando os cílios baixos, com candura,
Te velam o olhar casto e pudibundo,
Eu julgo vislumbrar, em tal postura,
Um anjo divagando pelo mundo...

Há por esse mundo coisas belas
Que, de tão belas, vê-las é pasmar
Pois eu trocaria toda elas
Pela incidência em mim do teu olhar

Em mim tua imagem está gravada
E de ti a minha vida está suspensa
Não quero nem preciso ver mais nada
Dos teus olhos me basta a luz intensa

Não há outra beleza que me encante
Meu conceito do belo está ruindo
Só porque o meu olhar, em certo instante,
Cegou perante a luz de olhar tão lindo
_______
1946 ( com 17 anos, ainda no Seminário)

5 comentários:

Sonia Schmorantz disse...

A pessoa foi, mas permanece vivo nas palavras que deixou, e assim viverá sempre, enquanto alguem lembrar seus versos e quiçá os transcrever daqui muito tempo, mesmo que não saibam quem foi tao maravilhoso poeta.
Uma linda homenagem.
beijo

Coral disse...

Queria poder falar sobre "Os Golpes da Vida". Queria poder impedir que ela lhe golpeasse, você me parece doce. Mas, estou sob a luz do amor, e os golpes que recebo tem me parecido como presentes.
Perguntou onde está seu Antonio...isso posso falar:
ele está em você, minha querida. Vivo, belo,radiante e produtivo. Em você.

Em Algum Lugar do Tempo.

FERNANDA & POEMAS disse...

QUERIDA CONDINOME... COMO TE COMPREENDO AMIGA... FIQUEI JÁ SEM DOIS AMIGOS DO CORAÇÃO AQUI... TAMBÉM NUNCA TINHA FALADO PESSOALMENTE COM ELES, SÓ ATRAVÉS DO TECLADO E FOI MUITO DELOROSO... UM GRNDE ABRAÇO E TEM PACIÊNCIA... QUE DEUS ESTEJA COM ELE... UM ABRAÇO AMIGO...
FERNANDINHA

paula barros disse...

Não conheci. Mas também me impressiona esse gostar que sentimos. A falta. O carinho.

abraços

silvioafonso disse...

.


Eu acho que o momento não me abriu oportunidade alguma para que eu deitasse falatório sobre a curta caminhada feita pelo António pelas pragas desta terra, portanto vou abster-me da causa e debruçar-me sobre a consequência. O caseiro desta propriedade, como que aguardando más notícias, relembra um amigo que foi comum de todos, mas seu preferencial. Debulha-se em lágrimas a lamentar a perda, aliás, qualquer perda é sempre um choque, principalmente quando o choque é a partida inesperada de um semelhante rumo ao desconhecido. Daí a invasão de domicílio que eu faço, já que as lágrimas do(a) caseiro é pela viagem de ida sem volta do parceiro das letras e amiga dos pensamentos rimados, escritos e declarados, que ele FAZ.
Eu vou acabar chorando eu sei, não pelo viajante que partiu, mas pelos que na estação ficaram a rezar, conta por conta do terço de suas vidas.
Você, proprietária desta página, tão logo vir o trem sumir ligeiro lá na curva, girará sobre os próprios calcanhares e retornará ao ponto, não de partida, mas de onde foi feliz com ele, muito feliz, e não sabia.

silvioafonso





.

O Que Sou:

Um misto de:
Fracasso e conquista,
Coragem e medo,
Brutalidade e fragilidade,
Vida e morte, mulher e bicho,
Sonhos e pesadelos.
Sou um fio de esperança.

"Um misto de fracasso e de conquista.
Um medo transmutado de coragem.
Tão frágil como a rosa que se avista.
Brutal no cinzentismo da paisagem.
Assim mulher e bicho me retrato.
Mesclando o pesadelo com o sonho.
E vivo de incertezas... e me mato.
Num fio de esperança que reponho."
(Jorge)

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