abril 05, 2009

A Armadura

"QUANDO MAIOR, MAIS PESADA A ARMADURA DE UM SOLDADO, MAIOR A FRAGILIDADE DAQUELE QUE ESTA ALI DENTRO"
Máscaras já não bastam.
A fuga requer uma completa armadura.
É necessário que seja enorme, robusta, assustadora.
Cada vez mais se veste armaduras, para se mostrar "grande / poderoso".
Quanto maior a armadura, o indivíduo mais se sente protegido, mais se pode gritar a condição de superioridade.
Pelas casas, pelas ruas, pelo mundo... vejo um verdadeiro exército, mas composto de um único soldado, que teima em lutar na batalha solitária.
É o exército da concorrência, da individualidade, onde mostrar fragilidade parece o primeiro passo para se perder a guerra.
E o exercito caminha, em marcha desesperada.
Na busca de vencer seus monstros, seus medos, seus traumas.
Mas nem mesmo as grandes armaduras são capazes de proteger a ponta afiada da lança, que atravessa a parede da armadura e golpeia o coração.
Quantas lutas solitárias ainda serão necessárias?
Até quando será necessário usar a armadura?
Tenho medo que a armadura comece a enferrujar, que o ferrugem vire solda e que a armadura nunca mais seja retirada.
É chegado o momento de sair de dentro da armadura, caminhar de peito aberto, empunhar um lenço branco e pedir um pouco de paz.
Mesmo que a ponta da lança teime em atravessar o peito, desta vez o "agressor" verá os olhos livres.
Não os olhos que viviam atrás da grade da armadura.
Chega de esconder a fragilidade.

20 comentários:

Menina do mar disse...

Veste-te com o coração e a beleza do que trazes dentro dele.. assim não vais precisar nunca de armadura. Não há protecção mais forte do que ser verdadeiro e justo. E tu és!
beijos, saudades!

citadinokane disse...

Beija,
Comecei a arrancar a minha armadura... Já sinto o vento batento no rosto, que bom!!!
Obrigado pela dica, ok?!
beijos,
Pedro

Coral disse...

Não tenho mais armaduras...mas tenho minhas máscaras , muitas.Acabaram minhas aliadas. Ao olha-las e declara-las, não mais me separam nem de mim nem dos outros. Ainda assim espero o Tempo de ficar inteiramente nua...livre.
Em Algum Lugar do Tempo.

Mariana Silveira disse...

PURA verdade...
Quanto mais resistente é a fortaleza, mais frágil é quem reside nela...
Ah, que fantástico!

Um abraço.

Sonia Schmorantz disse...

Quanta verdade nisso! Quem é valente e assume o que faz não precisa de armaduras, luta de cara limpa...
beijos e boa semana

Uma aprendiz disse...

Lindo seu texto, minha delicada amiga.
Ele me fez lembrar de Davi. Um jovem hebreu que se recusou a usar a armadura do rei Saul - um homem forte e poderoso. Preferiu enfrentar Golias de rosto e corpo nus. Nas mãos uma funda e 5 pedras que pegou por alí mesmo no chão.

Pior que usar armaduras é querer usar a armadura do outro.

bom dia
beijo

Dama de Cinzas disse...

Lindo isso! Eu realmente me acho uma pessoa com uma forte armadura, porque por dentro me sinto muito frágil.

Beijocas

Um Piá do Sul disse...

Imagino que o teor desta crónica tenha outras conotações ambientadas para o seu universo particular, mas me identifico com ela no sentido de que se fosse traduzí-la para o meu universo, eu diria que as vezes desacredito um pouco no futuro. Aquele futuro que vai além horizonte entende? São os momentos que estou só comigo mesmo e sinto que perdi um pouco da´fé. Acabo encontrando ela novamente, a perco só por distração.

Eu disse...

Usei durante muitos anos uma armadura, acreditando que estaria protegida, porém, as lanças que foram lançadas, atingiram em cheio meus sentimentos, mesmo sem ferir minha pele. A armadura enferrujou, porém não grudou em meu corpo, mas foi virando pó... hoje, sou eu. Desarmada e exposta, porém mais feliz!
Beijo grande para você amiga!!

Cadinho RoCo disse...

O uso da armadura entorpece os movimentos e cria em nós o ser de um outro ser.
Cadinho RoCo

Tatiana disse...

Muitas vezes enganamos a nós mesmos acreditando que a armadura que criamos será um escudo...mas com o tempo percebemos exatamente o contrário...Ela nos traz a fragilidade.
Ficamos muito mais fortalecidos quando nos conhecemos de forma inteira e sem mascaras!
*
Saiba que é muito bom abrir minha página
de recados e lá encontrar as suas palavras.
Obrigada por seu carinho!
Tenha uma excelente semana!
Beijos

Joana Homem da Costa disse...

Tudo verdade...muito bonito e bem visto!

Multiolhares disse...

Cada vez a sociedade cria mais
armaduras, que nos enfraquecem e nos fazem lutar contra
os nossos amigos
Devemos de largar as armaduras e "lutar " com o bem mais precioso o amor
beijo

Van disse...

Olá.
Sou sua mais nova visitante.
Lendo o texto, pensei em mim, e em quantas vezes já fui colocada de lado por não usar armadura.
Não usar armadura também dói, pois o mundo não está acostumado com pessoas prontas para mostrar seu rosto. É uma vida complicada ...
Lindo blog. Linda pessoa.

Beijos no seu coração.

' Joseαne Costα* disse...

' Passando para te deixar um abraço...

Sim...post perfeito^^

Josy*

Mari disse...

Pior é que às vezes, as máscaras são necessárias...

Papagaio Mudo disse...

Codi,

where are you?
miss you

Kiss,

gus

Tozé Franco disse...

Olá Beija-flor.
Todos temos as nossas máscaras e armaduras. Às vezes lá as tiramos, mas nem sempre isso é bem aceite.Ôs meus amigos dizem-me que a minha cara nunca consegue disfarçar o que me vai no espírito. Já me habituei a viver com isso.
Um abraço.

Fabricante de Sonhos disse...

Confesso que me protejo atras da minha armadura.
Muitas vezes escondo sim minha fragilidade...
tento me fazer forte..
Mas quando me sinto segura e posso tirar a armadura, desaba e então sou eu quem está ali.

Lindo Post!!!

Beijooos!

paula barros disse...

Adorei o texto, me vi em algum momento da minha vida. Acredito que seja mesmo uma forma de proteção, muitas das armações que usamos.

abraços

O Que Sou:

Um misto de:
Fracasso e conquista,
Coragem e medo,
Brutalidade e fragilidade,
Vida e morte, mulher e bicho,
Sonhos e pesadelos.
Sou um fio de esperança.

"Um misto de fracasso e de conquista.
Um medo transmutado de coragem.
Tão frágil como a rosa que se avista.
Brutal no cinzentismo da paisagem.
Assim mulher e bicho me retrato.
Mesclando o pesadelo com o sonho.
E vivo de incertezas... e me mato.
Num fio de esperança que reponho."
(Jorge)

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